Expressões Delíricas
sábado, 29 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
O que é que essa baiana tem?
Aquela saia nunca toca no chão
Mas só levanta sacudida pelo som
do samba ou candomblé
ou panela no fogão com bobó de camarão
Carrega fruto proibido na cabeça
Mas nem isso pesa na consciência
E deixa tudo em posição de reverência
Parece definição de beleza
Tem toda a cor que já foi inventada
Mas nunca muda para cor de pimenta
Isso só serve para usar em receita
Tem cheiro de espuma de mar
Temperada com sal na pele
E doçura no temperamento
Esssa baiana é um acontecimento!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
Cenários premeditados
Assim ficam
Inertes e serenos
Apaziguados
Por palavras repetidas
Sorrisos arregaçados
Gestos ensaiados
Ombros desencantados
Vontades vigiadas
Mentes sincronizadas
Sentimentos acromáticos
Que se apossam de todos os objetos
Como tu
Inerte e sereno
Apaziguado e obediente
Assim ficas escondido na multidão
Ansiando em lamber o chão
E dispensar a tua razão
Não há bela sem demão
Pois ela é assim
Promete os seus lábios
Retocados com rigor de ciência
Maquiavélicos na sua magnificiência
O mundo inteiro que se muna de prudência
Aquele batom serve como advertência
Faces manchadas de cor de pudor
Digna interpretação
De franca modéstia ou sacerdotisa de Vesta?
Veste um espartilho para emoções
Saltos obstinados que repudiam o chão
E carrega uma beleza extenuante no semblante
Mas esgotada a paleta de cores na superfície
(Imitação de algum quadro de Matisse)
Nada sobra para preencher o espírito opaco
E assim permanece aquele vácuo
Amor em palavras, atos e omissões
Numa folha de papel
Vazia
Sem cor
Arrumo palavras soltas de amor
Em vão escondê-las
Dentro de um livro resguardado
Ou sob a minha pele
Trocadas por gestos arrebatados
Quero desenhá-las no teu corpo
Segredá-las ao teu ouvido
Ainda que na forma de um gemido
Atos protegidos
Por nuvens carregadas
Assim um amor encoberto
Pela chuva desafinada
Mas longe de ti....
Com estas paredes
Vazias
Sem cor
Partilharei confidências de amor
Paraíso no meu olhar
Assim te contemplo
À distância de uma fantasia
Fugitiva de condenação por heresia
Castigada por alguma lei que não inventei
Perdi a minha morada
Exilada nessa agonia
Desobediente ao meu corpo que treme
Refém de uma consciência que mente
Cravei o meu esmalte vermelho
Nestes muros que se erguem
Escolhi-te como meu plano de escape
Enquanto não...
Pela janela vou observar-te
Ou de algum sonho mascarar-te
Assim te contemplo
À distância de uma fantasia
Fugitiva de condenação por heresia
Castigada por alguma lei que não inventei
Perdi a minha morada
Exilada nessa agonia
Desobediente ao meu corpo que treme
Refém de uma consciência que mente
Cravei o meu esmalte vermelho
Nestes muros que se erguem
Escolhi-te como meu plano de escape
Enquanto não...
Pela janela vou observar-te
Ou de algum sonho mascarar-te
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